DEPOIMENTO: Plástica espiritual (D)
Comecei a beber cedo. Por um lado, achava tudo maravilhoso, na condição de centro das atenções, mas, por outro, entristecia minha família, inclusive meu filho, que começou a mudar seu comportamento, tornando-se triste e problemático. Cheguei a cogitar que ele necessitava de assistência médica ou psicológica. Mas, apesar de muito amá-lo, esquecia-o quando estava envolvida com os meus colegas de copo, esquivando-me, consequentemente, das minhas responsabilidades maternas.
Com o tempo, fui percebendo que minha vida estava desmoronando. Não encontrava solução para os problemas, e o álcool não resolvia, até porque somente piorava tudo. Foi justamente nessa fase que, espiritual e moralmente arrasada, busquei Alcoólicos Anônimos. Minha família sempre me aconselhava, e eu driblava sua falação, chegando a duvidar de seu amor por mim, tal era sua insitência.
Quando completei quarenta e sete anos, minha irmã, uma pessoa maravilhosa e a quem devo muito, apresentou-me a um amigo na festa de aniversário de minha sobrinha. Durante a comemoração, ofereci-lhe cerveja, mas ele preferiu refrigerante. No fim da festa, minha mãe quis saber o que eu achava dele. Respondi que era velho demais para minha irmã, achando tratar-se de um namorado dela.
Esse rapaz, para quem minha irmã falara sobre mim, era integrante de A.A. e foi taxativo quando colocou que o problema dependia exclusivamente da minha decisão de querer resolvê-lo. Depois, conversando com minha irmã, ela questionou se eu não tinha vontade de parar de beber e de ser feliz. Passados alguns momentos de reflexão, resolvi ingressar em A.A., o que fiz. Encontrei uma nova família.
Hoje, presto serviços à Irmandade, sendo inclusive cofundadora de um grupo no bairro onde moro e de cujas reuniões sou frequentadora assídua. Foi quando percebi o quanto meu sofrimento era insignificante se comparado ao daqueles que me cercavam, principalmente minha mãe, meu filho, meus irmãos e até mesmo meus companheiros, dos quais voltei a adquirir respeito.
Mantendo minha mente aberta, aceitei a sugestão de evitar o primeiro gole um dia de cada vez. Seguindo os princípios de A.A., passei a ir com calma, fazendo, inicialmente, as primeiras coisas, vivendo, deixando os outros viverem e dando de graça o que graciosamente recebi. Meu primeiro momento de humildade deu-se quando aceitei a condição de alcoólica e que não mais exercia controle sobre minha vida. A partir desse instante, acreditei num Poder Superior, entregando minha vida e vontade aos Seus cuidados.
Foi através da Irmandade que encontri felicidade, que agora posso transmitir aos meus entes queridos. Sinto-me rejuvenescida, como se tivesse me submetido a uma plástica espirtitual, pois o Poder Superior faz maravilhas, funcionando plenamente para aqueles que se dispuserem a serem felizes novamente.