DEPOIMENTO: Jovem e sóbria (D)
Quando vim pela primeira vez para Alcoólicos Anônimos, achava que era muito jovem para ser uma alcoólica. Eu tinha ainda muito que curtir. Então, voltei a beber e pensei que estava perdendo a cabeça. Atingi o fundo do poço tão baixo que soube que não haveria mais esperança para mim e que eu seria miserável pelo resto da minha vida. Eu apenas aceitei esse fato quando Deus interveio e encontrei-me novamente numa reunião de A.A.. Só que, dessa vez, foi diferente, pois atentei para minhas semelhanças com os demais, e não para as diferenças. Pela primeira vez em minha vida, outras pessoas compreendiam-me. Não me senti tão só.
Aos dezenove anos, eu não era a mais jovem integrante em A.A. - mas sentia-me como tal. Era uma menininha assustada, amedrontada pelos membros mais velhos de A.A.. Constantemente, eu ouvia comentários como, você tem muita sorte por estar aqui, com tão pouca idade, ou você parece muito jovem para ser uma alcoólica. Eu pensava não ter nada em comum com aqueles que eram mais velhos e era muito difícil acompanhá-los, pois me sentia menosprezada devido à minha pouca idade.
Mas, depois de ouvir seus depoimentos, compreendi que o alcoolismo não se importa com sexo, etnia, religião ou idade que possamos ter. A doença pode tirar o melhor de nós, não importando quem sejamos. Finalmente, compreendi que, se quisesse ficar sóbria, eu teria que superar essa negação pela idade. Escolhi um padrinho (que era mais velho que eu) e comecei a trabalhar os Doze Passos.
Gostaria de poder dizer que passei suavemente pelos Passos e que minha vida mudou da noite para o dia, mas não foi assim. Ao contrário, trabalhei apenas o Primeiro Passo, que era fundamental para mim, e minha vida continuou insana. O resultado foi que encontrei novo fundo de poço.
Consta do Livro Azul (Alcoólicos Anônimos) que chegará um tempo em que nenhum ser humano será capaz de fazer-nos parar de beber. Isso é verdade. Eu tinha uma garrafa nas mãos. Foi somente pela graça de Deus que não tomei aquele gole. Coloquei a garrafa de lado e liguei para outro membro do programa. Nesse ponto de minha vida, é que comecei a mudar de verdade. Mergulhei nos Doze Passos de corpo e alma e fiz tudo que me foi sugerido. Comecei a ter um forte apreço e respeito pelos Passos. Eles salvaram minha vida.
Hoje, tenho vinte e três anos de idade e comemorei meus quatro anos de sobriedade. Minha vida é boa. Ainda tenho problemas e alguns fatos de minha vida continuam os mesmos. O que é diferente, desta vez, é o que sinto a meu próprio respeito. Posso dizer, honestamente, que amo a mim mesma.
Sou agradecida àqueles que me ampararam no início de minha sobriedade e, mais que tudo, por ter alcançado a sobriedade no tempo em que alcancei. Em vez de pensar que ser jovem é uma desvantagem, compreendo que tenho uma vida inteira pela frente. Não preciso sofrer por muitos anos. Posso aproveitar as coisas que a vida tem para oferecer-me. Agora, quando alguém comenta você tem sorte por estar aqui com tão pouca idade, eu respondo, sinceramente e sorrindo: "Eu sei!"
► Ouça o depoimento no Canal YouTube da Colcha de Retalhos (em breve)