DEPOIMENTO: Atitudes modificadas (D)
Tanto quanto posso lembrar-me, sempre fui muito bem-sucedida em sentir-me ferida. Desenvolvi ideias de que ninguém gostava de mim, de que eu estava sempre no caminho, como estorvo permenente em vidas alheias. Consequentemente, cedo descobri a prática da vingança.
Posso lembrar-me de quando cortei o vestido favorito de minha mãe, deixando-o em tiras apenas por ela ter me chamado a atenção por algo que, naquele momento, eu julgava não merecer, e por crer que ela assim o fazia apenas para magoar-me. Quando descobriu, ela sequer aumentou o tom de voz; simplesmente mostrou-se magoada. Aquilo devia ter-me feito sentir-me melhor, mas não foi o que aconteceu. Senti-me pior e acreditei que ela havia reagido daquela maneira para que eu me sentisse pior; fiquei maquinando, então, nova vingança. Lá no fundo, sentia-me arrependida, mas, mesmo sendo ainda crieança, - já não podia admitir que eu estivesse errada, menos ainda dizê-lo ou reconhecer qualquer fraqueza em mim.
Muito antes de ter experimento qualquer tipo de bebida, eu já apresentava alguns dos meus sintomas da doença do alcoolismo. Durante meus anos de bebedeiras, causei danos e maltratei muitas pessoas, muitas mesmo. Não creio que tenha machucado alguém fisicamente; no entanto, espiritual e emocionalmente danifiquei muitas vidas.
Incapaz de recordar grande parte do que fiz, não podia acreditar em muitas coisas com as quais eu era confrontada por ter feito. Por exemplo, sair correndo atrá do meu filho caçula em volta do jardim, com uma faca na mão e expressa intenção de apunhalá-lo. Essa é apenas uma das aituações insanas e perigosas que criei durante meus apagamentos. E, havia danos causados sem querer: dor, preocupação e medo, que eu fazia meu marido e toda minha família sofrerem durante meu alcoolismo ativo. Além do desgosto que, sem dúvida, dei à minha mãe, hospitalizada, em seu leito de morte e ainda bem jovem, por não ir visitá-la, visto que isso diminuiria meu tempo para beber.
Quando parei de beber pela primeira vez e a névoa alcoólica desvaneceu-se, compreendi quão gravemente minhas ações afetaram outras pessoas. Estava tão genuinamente arrependida pelo que fizera que acreditava ser impossível fazer o suficiente para consertar qualquer coisa. Só então compreendi que nem todos os meus erros podiam ser corrigidos. Alguns não deveriam sequer ser expostos e poderiam tão somente ser compreendidos e perdoados.
Para algumas pessoas, tenho feito reparações diretamente. Para outras, nem posso fazê-lo, pois significaria impor-lhes mais dor. Ainda faço reparações diárias a familiares e amigos mais chegados, mantendo-me sóbria e com um forme propósito de ser-lhes útil.
Para mim, hoje, fazer reparações não é apenas dizer sinto muito, mas também demonstrá-lo através da modificação de minhas atitudes para com pessoas, lugares e circunstâncias; é permanecer sóbria um dia de cada vez, participar do maior número possível de reuniões e servir, em gratidão por entregar minha vontade e minha vida aos cuidados de um Poder Superior, Deus, como eu O concebo. Ao aceitar responsabilidades, posso desenvolver novas perspectivas na vida.
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