DEPOIMENTO: Permaneço irmanada (D)

  • L., 42 anos, Cidade / Estado, para o site Colcha de Retalhos.

Pessoas Alcoólicas e Interessadas


Meu nome é L., sou uma alcóolica em recuperação e tenho 42 anos.  Desde muito nova sempre tive problemas com álcool, hoje entendo isso, porque antes eu achava que era tudo muito normal, pensava que eu só exagerava um pouco mais dava para controlar.  Eu estava terrivelmente engada.
 
Comecei a namorar meu marido quando eu tinha apenas 14 anos e estamos juntos até hoje.  Ele também é um companheiro de Alcoólicos Anônimos e foi através dele que cheguei nessa Irmandade.  Minha relação com o álcool sempre foi muito exagerada, eu sempre bebi muito, mais sempre fui muito forte para bebida, então não achava nada anormal.
 
Quando fiz a cirurgia bariátrica em 2017, fui alertada dos riscos que correria se continuasse bebendo como sempre fiz, mas como sempre não dei a menor importância.  Com quarenta dias de cirurgia e a dieta liberada, logo voltei a beber; no início era uma taça da minha bebida de preferência todas as noites.  Eu bebia porque gostava, bebia para esquecer os problemas, bebia porque estava feliz, enfim, bebia por tudo.  E as doses começaram a aumentar gradativamente, até porque ingerir líquidos era muito mais fácil depois da cirurgia. Passei a uma garrafa ao dia, para três e depois do que mais tivesse a mão.
 
Eu só bebia em casa, então comecei a me isolar, a ficar agressiva com meus filhos, com meu marido e a brigar com as pessoas através de mensagens no WhatsApp.  Deixei empregos por não conseguir cumprir os compromissos; sempre tinha desculpas para minhas faltas e meus atrasos.  Deixei de pagar minhas contas básicas e a me endividar para comprar bebida - cheguei a vender meu carro.
 
No final de 2022, cinco anos depois da cirurgia, as coisas estavam totalmente fora do meu controle.  Durante uma festa, na minha cidade - uma cidade pequena do interior, dei um vexame que se tornou público rapidamente.  Porém, apesar disso, continuei bebendo por mais um mês, até pedir ajuda.
 
Fui internada voluntariamente e depois de trinta e oito dias voltei para casa.  Meu marido já havia ingressado na Irmandade e eu ingressei no mesmo dia, em 12 de janeiro de 2023, numa reunião online.  Não tive recaídas e não pretendo voltar ao primeiro gole, mais sei que é só por hoje, um dia de cada vez.  Eu faço os sugeridos, permaneço irmanada, já me dispus aos serviços do meu grupo-base, procuro assistir diariamente ao menos uma reunião e dificilmente perco um dia.  É quando volto o filme da minha história de forma a não esquecer de onde eu vim e como estou hoje.
 
Todos os dias, ao acordar, peço ao Poder Superior, na forma como eu o concebo, que guie meus passos e me conceda mais 24hs de serenidade e sobriedade.


► Ouça o depoimento no Canal YouTube da Colcha de Retalhos (em breve)