DEPOIMENTO: Apesar da realidade a ilusão das possibilidades
Meu nome é L.M.B e sou uma alcoolista cruzada em recuperação. Comecei bebendo aos meus 25 anos e no início era ótimo, era mais sociável e também comecei a fumar cigarro. Meu pai era alcoolista, internamos ele por diversas vezes, mas ele só conseguiu quando ingressou no A. A. Então eu já conhecia a irmandade à um tempo. Passei por alguns psiquiatras que diziam que eu não era alcoólatra, mas sim uma abusadora, pois eu só bebia nos sábados, mas sempre bebia até não aguentar mais. A ressaca me destruía e para não ficar me sentindo mal e culpada no domingo, dizia que nunca mais ia beber ou que iria beber menos, mas do meio da semana até o final dela parece que tudo era esquecido e já ficava ansiosa para chegar logo o sábado. Bebia quando tinha festa, raras vezes bebi durante o dia, mas nos últimos tempos tudo se agravou. Não estava morando na cidade dos meus pais e eles começaram à adoecer, quadro de demência. Me sentia impotente na cidade que estava, comecei a contratar cuidadoras, mas sempre havia um problema. Na pandemia comecei a usar remédio, já não bebia mas tomava uma caixa de remédio por dia! Precisava anestesiar e não conseguia ver meu pai e minha mãe daquele jeito, amarrados em uma cama e foi tudo ao mesmo tempo. Usei tudo que apareceu: bebidas, remédios, cigarros e até cocaína. Hoje vejo que sempre tive problema com adicções, tudo tinha que ser até o fim. Perdi amigas e familiares. Tive três internações, que me ajudaram e agora me sinto segura e amada pelas Irmandades A.A. e N.A. que frequento. Os grupos salvam a minha vida, mas é só por hoje!!
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