DEPOIMENTO: Perdida nos caminhos da vida encontrei a recuperação
Ontem fez 4 meses que ingressei na irmandade de AA.
Meu alcoolismo começou quando eu era novinha. Tenho pensado sobre isso... quando eu tomava licor escondido em casa e como era da igreja, não saía beber.
Eu não tive uma adolescência convencional, de fazer coisas de adolescente, pois era da igreja. Meus 2 avôs eram alcoólatras e já faleceram. Meu pai era alcóolatra, começou a beber muito novo, com 12 anos de idade, mas parou de beber tem 33 anos, mais da metade da vida dele. Usou outras drogas, mas a adicção, a droga de escolha, era o álcool, assim como eu. Também fumava cigarro e parei de fumar quando ingressei em A.A. porque era uma coisa que me remetia muito ao álcool .
A minha ativa mesmo começou na faculdade, quando tinha por volta de 21 anos. O que dá uma ativa de mais ou menos 14 anos. Faculdade, festas, viagens e eu bebia toda semana. Até então eu controlava, mas eu fui perdendo o controle. Entrava escondida em casa bêbeda pra minha mãe não ver. Comecei a terapia nessa época.
Quando fiz 24 anos sai de casa e fui morar com um cara que era casado. Ele tinha a esposa e esse apartamento comigo. Ele estava separado, mas não divorciado, e tinha filhos, o que fez com que eu ficasse me sentindo mal. Foi um momento muito ruim da minha vida. Cheguei no fundo do poço nessa época.
Nesse momento que morei com ele tinha muitos apagões. Eu bebia tanto que ele mantinha em casa glicose, agulha, soro, para aplicar em mim quando necessário. Um relacionamento falido claro!
Quando finalmente tive coragem de terminar com ele, eu passei 14 dias direto bebendo. Descia e bebia no bar qualquer coisa... pinga, conhaque e não comia, pois gastava o dinheiro da comida bebendo. Dormia e acordava bebendo. Meu pai tentava falar comigo para parar. Acabei começando a namorar uma menina e consegui trabalho em São Paulo e me mudei pra lá.
Dividi o apartamento com meu irmão. Ele usava muita droga e comecei a misturar bebidas com drogas sintéticas. Eu tinha apagões de dias e fazia coisas muito absurdas.
Foram alguns anos assim. Até pessoas próximas começarem a perceber que era um problema. Eu comecei a perceber e a falar sobre esse problema com os próximos. Eu machucava muito os outros e isso me deixava muito mal. Essa menina que eu namorei por exemplo, eu fiz muita coisa de ruim pra ela e a maioria nem lembro.
Foi então, que em 2015 eu tentei parar de beber pela primeira vez. Fiquei 8 meses sem beber, sem fumar e sem usar drogas. Depois de 8 meses bebi de novo e voltei a fumar e aí foi tudo desencadeou novamente e não consegui parar desde então, e nem tentei por que achava que controlava de novo. Apesar da minha psicanalista ter me ajudado muito, nesse quesito o alcoolismo foi uma barreira, pois ela não me achava alcoólatra. Então era como se eu tivesse a permissão de beber.
Ai em 2022, eu comecei a namorar uma outra garota, e ela tinha medo quando eu bebia. Ela não bebia e já se chateava quando eu bebia por que eu criava problemas. Eu acabei empurrando bebida pra ela, cobrava que ela não me deixasse beber e fumar, e depois reclamava que ela me controlava. Passava mal. Ela cuidava de mim e tinha crise de ansiedade. Causei muito mal a ela, também.
Quando percebi esse mal que causava resolvi parar, tentar me espiritualizar e por conta disso, em 2023 eu tentei parar em alguns períodos, mas recaía. E cada vez que isso acontecia a gente discutia mais.
Na pandemia ainda comecei a tomar ansiolítico. Perto do final do ano eu comecei a entender que eu não conseguia controlar e dividi isso com ela, na esperança que ela me ajudasse. Eu achava que essa ajuda deveria vir dela, já que ela estava comigo. Viajamos de férias e eu estava há 70 dias sem beber. No entanto, percebia que cada vez que eu tentava parar e voltava a beber, ficava pior. Foi nessa viagem que acabei bebendo e fiz coisas horríveis, sendo agressiva e chegando a dar um tapa nela. Coisas que sóbria jamais faria.
Fui pra cassinos, perdi muito dinheiro. Fumava muito, bebia muito e gastava muito dinheiro. Muito obsessiva e compulsiva. E cada vez que não conseguia parar me frustrava mais. Numa dessas noites na viagem ela não aguentou, pegou um avião e foi embora. Fiquei muito mal.
Quando voltei da viagem eu entendi que tinha perdido pra bebida. Perdi a pessoa que eu amava, não me controlava em nada. A vida estava fora de controle. Percebi que meu padrão era esse. Bebia , causava dor a mim e aos outros e bebia mais para anestesiar isso.
Apesar do caos da viagem e da briga nós continuamos nos falando, e eu ainda tinha expectativa de voltar com ela. Ela sabia que eu tinha vontade de ir numa reunião de A.A., mas nunca tinha ido e mesmos a gente separadas, ela me levou numa reunião, e foi algo muito especial.
A gente conseguiu entender, tanto eu quanto ela, que era uma doença. Eu encontrei ali pessoas que eram iguais a mim. Me identifiquei e fiquei. Então desde de 17 de dezembro de 2023 eu sigo sóbria e limpa Graças à Deus como eu O concebo, que aliás já não tinha fé. A.A. me trouxe a fé de volta.
Voltei a sentir fé e esperança em meu coração.
Sobre a namorada, acabamos terminando mesmo. Mesmo eu querendo ficar com ela. Mas, entendi que não precisava beber por isso. Acabei tendo um breve relacionamento no início da minha recuperação com uma outra menina. Mas isso não é sugerido e foi movimento de ativa. Então parei.
Hoje estou seguindo o sugerido que é me manter sem me relacionar, tenho minha madrinha em A.A. e estou chegando no 4º passo. Ela e meus companheiros de confiança são de extrema importância na minha sobriedade e acredito que Deus quem os enviou e por isso amo essas pessoas genuinamente.
Gratidão!
Meu alcoolismo começou quando eu era novinha. Tenho pensado sobre isso... quando eu tomava licor escondido em casa e como era da igreja, não saía beber.
Eu não tive uma adolescência convencional, de fazer coisas de adolescente, pois era da igreja. Meus 2 avôs eram alcoólatras e já faleceram. Meu pai era alcóolatra, começou a beber muito novo, com 12 anos de idade, mas parou de beber tem 33 anos, mais da metade da vida dele. Usou outras drogas, mas a adicção, a droga de escolha, era o álcool, assim como eu. Também fumava cigarro e parei de fumar quando ingressei em A.A. porque era uma coisa que me remetia muito ao álcool .
A minha ativa mesmo começou na faculdade, quando tinha por volta de 21 anos. O que dá uma ativa de mais ou menos 14 anos. Faculdade, festas, viagens e eu bebia toda semana. Até então eu controlava, mas eu fui perdendo o controle. Entrava escondida em casa bêbeda pra minha mãe não ver. Comecei a terapia nessa época.
Quando fiz 24 anos sai de casa e fui morar com um cara que era casado. Ele tinha a esposa e esse apartamento comigo. Ele estava separado, mas não divorciado, e tinha filhos, o que fez com que eu ficasse me sentindo mal. Foi um momento muito ruim da minha vida. Cheguei no fundo do poço nessa época.
Nesse momento que morei com ele tinha muitos apagões. Eu bebia tanto que ele mantinha em casa glicose, agulha, soro, para aplicar em mim quando necessário. Um relacionamento falido claro!
Quando finalmente tive coragem de terminar com ele, eu passei 14 dias direto bebendo. Descia e bebia no bar qualquer coisa... pinga, conhaque e não comia, pois gastava o dinheiro da comida bebendo. Dormia e acordava bebendo. Meu pai tentava falar comigo para parar. Acabei começando a namorar uma menina e consegui trabalho em São Paulo e me mudei pra lá.
Dividi o apartamento com meu irmão. Ele usava muita droga e comecei a misturar bebidas com drogas sintéticas. Eu tinha apagões de dias e fazia coisas muito absurdas.
Foram alguns anos assim. Até pessoas próximas começarem a perceber que era um problema. Eu comecei a perceber e a falar sobre esse problema com os próximos. Eu machucava muito os outros e isso me deixava muito mal. Essa menina que eu namorei por exemplo, eu fiz muita coisa de ruim pra ela e a maioria nem lembro.
Foi então, que em 2015 eu tentei parar de beber pela primeira vez. Fiquei 8 meses sem beber, sem fumar e sem usar drogas. Depois de 8 meses bebi de novo e voltei a fumar e aí foi tudo desencadeou novamente e não consegui parar desde então, e nem tentei por que achava que controlava de novo. Apesar da minha psicanalista ter me ajudado muito, nesse quesito o alcoolismo foi uma barreira, pois ela não me achava alcoólatra. Então era como se eu tivesse a permissão de beber.
Ai em 2022, eu comecei a namorar uma outra garota, e ela tinha medo quando eu bebia. Ela não bebia e já se chateava quando eu bebia por que eu criava problemas. Eu acabei empurrando bebida pra ela, cobrava que ela não me deixasse beber e fumar, e depois reclamava que ela me controlava. Passava mal. Ela cuidava de mim e tinha crise de ansiedade. Causei muito mal a ela, também.
Quando percebi esse mal que causava resolvi parar, tentar me espiritualizar e por conta disso, em 2023 eu tentei parar em alguns períodos, mas recaía. E cada vez que isso acontecia a gente discutia mais.
Na pandemia ainda comecei a tomar ansiolítico. Perto do final do ano eu comecei a entender que eu não conseguia controlar e dividi isso com ela, na esperança que ela me ajudasse. Eu achava que essa ajuda deveria vir dela, já que ela estava comigo. Viajamos de férias e eu estava há 70 dias sem beber. No entanto, percebia que cada vez que eu tentava parar e voltava a beber, ficava pior. Foi nessa viagem que acabei bebendo e fiz coisas horríveis, sendo agressiva e chegando a dar um tapa nela. Coisas que sóbria jamais faria.
Fui pra cassinos, perdi muito dinheiro. Fumava muito, bebia muito e gastava muito dinheiro. Muito obsessiva e compulsiva. E cada vez que não conseguia parar me frustrava mais. Numa dessas noites na viagem ela não aguentou, pegou um avião e foi embora. Fiquei muito mal.
Quando voltei da viagem eu entendi que tinha perdido pra bebida. Perdi a pessoa que eu amava, não me controlava em nada. A vida estava fora de controle. Percebi que meu padrão era esse. Bebia , causava dor a mim e aos outros e bebia mais para anestesiar isso.
Apesar do caos da viagem e da briga nós continuamos nos falando, e eu ainda tinha expectativa de voltar com ela. Ela sabia que eu tinha vontade de ir numa reunião de A.A., mas nunca tinha ido e mesmos a gente separadas, ela me levou numa reunião, e foi algo muito especial.
A gente conseguiu entender, tanto eu quanto ela, que era uma doença. Eu encontrei ali pessoas que eram iguais a mim. Me identifiquei e fiquei. Então desde de 17 de dezembro de 2023 eu sigo sóbria e limpa Graças à Deus como eu O concebo, que aliás já não tinha fé. A.A. me trouxe a fé de volta.
Voltei a sentir fé e esperança em meu coração.
Sobre a namorada, acabamos terminando mesmo. Mesmo eu querendo ficar com ela. Mas, entendi que não precisava beber por isso. Acabei tendo um breve relacionamento no início da minha recuperação com uma outra menina. Mas isso não é sugerido e foi movimento de ativa. Então parei.
Hoje estou seguindo o sugerido que é me manter sem me relacionar, tenho minha madrinha em A.A. e estou chegando no 4º passo. Ela e meus companheiros de confiança são de extrema importância na minha sobriedade e acredito que Deus quem os enviou e por isso amo essas pessoas genuinamente.
Gratidão!
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