DEPOIMENTO: Diga-me o que devo fazer! (D)

  • GG, Idade, Cidade/ Estado, para o livreto COLCHA DE RETALHOS.

Pessoas Alcoólicas e Interessadas


Eu era uma bebedora do tipo que ninguém via bêbada, porque me escondia entre quatro paredes e bebia em casa e em reuniões sociais, levando uma vida aparentemente normal.  Afinal, o alcoolismo já é difícil de ser identificado, que dirá quando o disfarçamos tal como eu fazia.
 
Antes de ingressar no programa de Alcoólicos Anônimos, não sabia o que significava viver.  Levava uma vida vazia.  Não tinha expectativas.  Sentia-me um zé ninguém.  Apesar de ter tudo que um ser humano poderia necessitar para ser feliz - família, filhos, um bom emprego, amizades - sentia-me a mulher mais infeliz do mundo.
 
Muitas vezes ao dia, eu pensava em acabar com minha vida.  Pensava fazê-lo de diferentes maneiras, porém, ao final, sem coragem, não o consumava; então, frutrava-me e depreciava-me.
 
Tinha fé no Deus que me foi apresentado na infância, que castigava e condenava.  Meu conceito de Deus era distorcido.  Um dia, desesperada e já quase sem fé (o mínimo de fé que me restava foi, seguramente, o que me salvou a vida), com o rosto banhado em lágrimas, como era natural em mim, perguntei-Lhe: 'Por que não quero viver, se tenho tudo?'  Até então, eu não sabia que padecia da enfermidade chamada alcoolismo.
 
Esse dia pesou dentro de mim.  Ouvi, saindo de meus lábios, palavras que jamais teria dito.  Eu as senti desde o mais profundo de minha alma e de meu coração.  Disse: 'Deus, por favor, ajuda-me, ensina-me o caminho a seguir, diga-me o que devo fazer, prometo que, se mostrares o caminho a seguir, mesmo sem saber como, vou segui-lo'.  Ao terminar essa minha conversa com Ele, senti que um grande peso havia saído dos meus ombros.  Dessa vez, sem saber, eu Lhe havia falado com humildade, e Ele escutou-me.
 
Três semanas depois, ingressei num Grupo de A.A. e abracei o programa de Doze Passos e Doze Tradiçções.  A princípio, eu não sabia por que assistia às reuniões, porém o tempo tem passado e, hoje, sei que sou alcoólica, que pratico o programa de A.A. para manter-me sem beber um dia de cada vez e também para melhorar minha vida que entreguei em Suas mãos.
 
Tenho compreendido que ninguém é culpado pelas situações pelas quais passei.  Hoje, valorizo minha vida.  Tenho paz e serenidade.  Alcoólicos Anônimos tem me ensinado a ter fé num Poder Superior, que hoje concebo com um Deus amoroso.
 
São passados dois anos e meio desde que ingressei em A.A..  Sei que, se quiser conservar minha sobriedade, tenho de manter-me praticando o programa e trabalhando, todos os dias, os Doze Passos e as Doze Tradições que recebi de A.A., por graça de Deus.