DEPOIMENTO: Estrelas brilham mais em noite escura (D)
Comecei a beber aos 11 anos. Tomava o restinho dos copos de meus tios. Aos 12, já não conseguia fazer mais nada sem beber. Para aguentar ficar sentada na sala de aula, eu tinha de tomar duas ou três doses pelo menos. Comecei a andar vom a turma mais velha. Todos bebiam e usavam outras substâncias. Fui presa aos 13 anos. Dei uma facada num homem que me chamou de prostituta, porque eu não era e não queria que me chamassem do que eu era.
Alcoolismo é doença progressiva. Comigo não foi diferente. Só Deus sabe como consegui estudar. Meus pais não sabiam mais o que fazer comigo. Sou filha única e dava problemas demais. Minha mãe, nem sei quantas vezes, chorava perto de mim e pedia para eu não fazer aqueilo com ela.
Naquele mesmo ano, tentei suicidar-me pela primeira vez. No hospital, minha mãe chorava e pedia pelo amor de Deus, para eu não fazê-la sofrer daquele jeito. Eu prometia. Quanta promessa fiz, mas não cumpria nenhuma. Aos 14 anos, roubava e assaltava. Tinha de fazer presença para os colegas. Fui presa novamente. Meu pai buscava-me na delegacia. Nessa altura, ele já não falava comigo. Somente minha mãe o fazia. O restante da família nem me olhava. Minha avó já tinha dado um ultimato a meu pai: eu teria de sair de casa.
Tentei novamente o suicídio. Queria dar um paradeiro naquilo tudo e só a morte resolveria - assim eu pensava. Aos 15 anos, fui presa pela nona vez. Depois de muita choradeira, o delegado soltou-me. Era menor de idade e um Poder Superior olhava por mim novamente.
Aos 16 anos, meu alcoolismo era horrível e eu me prostituía nas ruas. Assim era mais fácil conseguir dinheiro. Nova tentativa de suicídio, felizmente frustada. As coisas pioravam cada vez mais. Já estava na décima terceira prisão. Não era recolhida à cela, mas, na delegacia, eu apanhava e os guardas abusavam de mim. Eu contava aos outros, mas ninguém acreditava - eu já tinha perdido todo crédito.
Ouvi falar em Alcoólicos Anônimos quando faltavam dez dias para eu completar 18 anos e ia tentar suicídio pela quarta vez. Naquela noite em A.A., não tive vontade de beber. Fui à reunião no dia seguinte e estou em A.A. até hoje, aos 21 anos de idade e quase quatro de sobriedade. Já não roubo nem me prostituo. Tenho uma vida maravilhosa, meus parentes já conversam comigo e convidam-me para suas festinhas. Ganhei terreno para fazer moradia. Minha mãe tem orgulho de mim. Ela adora Alcoólicos Anônimos. Hoje, garças a Deus, como eu O entendo, sou alcoólica, mas não sou mais bêbada. Sou feliz. Meu marido é uma pessoa maravilhosa. Tudo pela graça de Deus.