DEPOIMENTO: A.A. meu poder espiritual (D)

  • X., 60 anos, Rio de Janeiro/ RJ, para o site Colcha de Retalhos.

Pessoas Alcoólicas e Interessadas


Eu não bebi na adolescência; comecei depois dos 20 anos, quando conheci meu ex-marido que era muito sociável e gostava de sair para teatros, jantares e baladas (que na epoca não se chamava assim!).  Destilado era minha bebida preferida.

Quando me divorcei, passei a berber menos.  Mas, meu ex-marido faleceu três anos depois do divórcio, minha casa pegou fogo e minha filha foi internada por um mês com depressão. Eu não tinha dinheiro algum, mas a empresa onde trabalhava me ajudou.

Foi um tempo muito dificil e a bebida seguiu aumentando, já me fazendo ter apagões, com ressacas morais e fisicas.  Enquanto trabalhava, eu interagia com tudo no automatico, me esforçando para ninguém notar o meu alcoolismo, fazer meu trabalho e cuidar dos meus filhos.  Mas, tive que me desligar do meu emprego para cuidar de mim e dos meus filhos.

Um tempo depois, meu filho sofreu um acidente automobilísiico e teve traumatismo craniano.  Ele ficou em coma por um mês, saiu sem andar, falar, ou conseguir fazer o basico.  Hoje ele está recuperado fisicamente, mas tem sequelas cognitivas.  Nesta época eu tinha um companheiro, também um adicto em recuperação, o que ajudou bastante.  Mas, fiz dele minha droga e o relacionamento se tornou disfuncional e abusivo emocionalmente.  Transformei minha casa em fonte de renda e fui para um apartamento com meus filhos.

Voltei a beber mais e mais.  Passei por três internações voluntárias, mas quando voltava para casa, todo processo do alcoolismo era reativado.  Depois de uma tentativa de suicídio, da qual fui resgatada pela minha filha e pelo zelador do prédio, fui internada involuntariamente.

Sempre aumentei bastante meus problemas, que não foram poucos, e o alcoolismo me fazia sair do ar e dormir.  Não precisava sair para as baladas ou para festas para beber, e mesmo que fizesse, ao voltar para casa, ia direto para o copo.  Bebia solitariamente no sofá.

Eu fiz terapia depois da internação, da qual tive alta, depois de muita insistência para que eu voltasse para as reuniões de Alcoólicos Anônimos das quais tinha começado a participar há vinte anos atrás, só que depois de algumas recaídas, acabei me afastando.

Estou sem beber há três anos; não fico mais sem reunião presencial ou online.  Agradeço a Alcoólicos Anônimos e a todos companheiros e companheiras que são meu poder espiritual.
Quero sempre levar a palavra de A.A.!
 
 
► Ouça o depoimento no Canal YouTube da Colcha de Retalhos (em breve)